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Você não conhece Home Office

E a diferença entre trabalhar em isolamento social é gritante

4 min. de leitura

Foto por Tim Trad

Se você, como eu, tem o privilégio de poder trabalhar de casa no momento em que vivemos, é bem provável que os acontecimentos tenham ocorrido pra você mais ou menos da mesma forma que aconteceram pra mim.

Por volta de março desse ano, todo mundo estava começando a ficar em alerta. Nós sabíamos que a água estava pra chegar por aqui e, como já diria aquele antigo ditado: a gente ia precisar aprender a nadar.

Um tempo se passou e as empresas decretaram alguns dias de "home-office". A inocente previsão era de que tudo se normalizasse dentro de uma ou duas semanas.

Essas poucas semanas se passaram e as estratégias foram revistas, discursos mudaram e a nova ideia era prolongar mais um pouco. Mês seguinte tudo seria revisto.

Esse mês planejado também passou (assim como mais um ou dois seguintes) e, inevitavelmente, todo mundo caiu na realidade.

É assim, então, que muito provavelmente você está trabalhando de casa por tempo indeterminado.

A ascensão do "home-office"

De um dia pro outro, você se vê trabalhando de casa. A sua mesa da sala virou a mesa do escritório e seu sofá, talvez, tenha virado sua cadeira de trabalho.

Toda comunicação agora é assíncrona. Você não consegue mais virar pra pessoa que trabalha ao seu lado e tirar qualquer dúvida ou chamar pra tomar um café.

Poucos dias depois começam a aparecer os inúmeros posts e artigos sobre produtividade. É normal que todo esse cenário seja visto como uma oportunidade (principalmente se você, assim como eu, já tinha planos de trabalhar de forma remota), mas a realidade é que ninguém estava preparado.

Se você já possuía uma estrutura minimamente viável para trabalhar de casa com internet, mesa, cadeira e todos os aparatos que garantem que você consiga manter algo que antes era (ou deveria ser) fornecido para você, isso é muito bom! Mas, com certeza, essa realidade ainda representa uma parte pequena das pessoas que estão em "home-office".

Sem contar que, em uma rotina normal de home-office é comum que você possa sair tranquilamente para almoçar se desejar ou trabalhar de algum lugar que não seja sua casa. Você pode, inclusive, terminar o expediente mais cedo um dia ou outro e depois "compensar" isso no dia seguinte. É completamente normal e aceitável.

Ah... Mas será mesmo?

É bem comum que pessoas que já trabalhavam em "home-office" anteriormente, tenham uma rotina totalmente diferente. De uns anos pra cá muitos espaços começaram a ser direcionados para um púbico que não ficava, necessariamente, restrito à um único escritório físico. Com isso, vimos inúmeros coworkings e cafés surgirem com uma estrutura e abordagem que casava com essa rotina de trabalho.

Empresas que já adotavam essa cultura de trabalho costumam possuir auxílios aos seus colaboradores, justamente para que algumas facilidades (como essas questões estruturais que comentei) sejam mais fáceis de serem adotadas e garantam o conforto e a qualidade do seu trabalho, mesmo estando de casa.

A linha entre vida pessoal e trabalho se tornou extremamente fina

É bem comum que no período em que estamos, sua vida pessoal esteja bem ligada com seu cotidiano no trabalho.

Ir ao "escritório" não demanda mais diversas conduções e horas no trânsito. É só ligar o computador que está tudo ali.

Isso é realmente muito prático, e com certeza traz um imenso conforto. Entretanto, esse pequeno conforto pode ser extremamente prejudicial se não tivermos o devido cuidado.

É bem comum que as tarefas voltadas ao seu bem-estar acabem ficando de lado com o tempo, afinal, você pode deixar para depois a prática de algum hobby ou afazer e adiar constantemente algo que te faz bem. Não é mesmo?

Assim como a rotina de sair de casa e se deslocar até o escritório já não existe mais, o processo de se "desligar" do trabalho ao final de um dia também tende a deixar de existir se você não tiver cuidado.

Aquelas dicas de "simular sua rotina" (se vestir, tomar banho e preparar-se como um dia comum de trabalho) seguem justamente essa linha de raciocínio: uma sequência de etapas e processos que fazem com que, mentalmente, você seja capaz de ligar ou desligar o "modo trabalho" e manter sua vida social (mesmo que completamente abalada pelo isolamento) minimamente ativa.

E como manter a produtividade em meio à pandemia?

Se você, assim como eu, já viu pelo menos uma meia dúzia de posts com alguns títulos sensacionalistas que prometem de maneira milagrosa fazer você ser a pessoa mais produtiva possível em meio a esse caos, com certeza já percebeu que a grande maioria deles acaba seguindo o mesmo clichê.

Da noite pro dia, especialistas em produtividade e trabalho remoto surgiram aos montes e uma imagem de que você deveria manter sua produtividade em alta começou a se formar aos poucos.

A verdade é que você não precisa e muito provavelmente não vai conseguir agir de forma super produtiva com tudo isso ao seu redor e tá tudo bem com isso. Não existe receita mágica que tire a preocupação da sua cabeça e, muito provavelmente esses textos soltos pela internet só vão fazer você se sentir ainda pior por não fazer parte do "esquadrão classe A" que tá tirando o melhor proveito possível desse período extremamente conturbado.

Claro que a ideia é deixar a peteca cair o mínimo possível, afinal, os boletos chegam pra todo mundo.

O que eu queria que você tirasse disso tudo é que não vale a pena se cobrar ainda mais pra atingir uma super-produtividade. Cada um tá lidando com esse cenário horrível da maneira que consegue e, com certeza, ficar se cobrando só vai piorar a forma como você se sente.


Fique bem

De verdade, espero que você esteja minimamente bem, mesmo sendo quase impossível.

É normal passar por um turbilhão de sensações e ter variações de emoções com tudo isso que tá acontecendo.

Se você pode fazer algo para não piorar é justamente não se cobrar por coisas que você não consegue resolver e também tentar fazer seu papel, garantindo sua saúde e segurança (e a de quem é próximo a você) da forma que você conseguir.

Faça sua parte e não deixe de fazer o que te faz se sentir bem. 🙂