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Chinelo ou gravata?

Algumas comparações e cenários que você pode encontrar em empresas de diferentes portes, de multinacionais à startups

5 min. de leitura

Foto por Joshua Ness

Eu já passei por algumas empresas e é inevitável fazer algumas comparações quando você muda de emprego: comunicação, processos, autonomia, oportunidades ou qualquer outro ponto vai ser bem diferente de um ambiente pra outro.

Depois de algum tempo você começa a notar que alguns desses tópicos se repetem e são um pouco parecidos dependendo do tamanho e do momento de empresa que você vivencia. De startups à empresas com uma posição mais consolidada no mercado, é possível identificar uma certa "tendência" (já que muitas empresas podem fugir desses aspectos facilmente) e é justamente alguns desses pontos que gostaria de comentar hoje.

Vale lembrar que nada disso é positivo ou negativo, são apenas cenários totalmente distintos e cada um apresenta uma oportunidade e pontos a seu favor (e contra). Tudo depende de como você encara e lida com cada um dos ambientes.

Comunicação

Na minha opinião é sempre um ponto a ser melhorado.

Claro, "comunicação" envolve muitos aspectos: a forma como a marca de uma empresa se posiciona para o mercado e os consumidores, a forma como mantém seus colaboradores atualizados com um diálogo fluido e diversos outros focos.

Meu objetivo aqui não é discutir todos eles, mas acho que o que mais se diferencia em qualquer tipo de empresa é justamente a comunicação que envolve você e seus pares e está relacionado também com decisões de liderança e estratégia.

Em ambientes onde tomadas de decisão são feitas diversas vezes ao dia e decisões de produto mudam muito rápido (como nas startups) pode ser que algumas decisões e informações sejam mais efêmeras do que você espera. Estar desatualizado com algum comunicado pode ser mais comum do que você imagina e talvez você passe por um novo aprendizado de consumo de conteúdo até se acostumar com a forma que as informações chegam até você.

Em contrapartida, é bem comum que empresas mais consolidadas possuam ferramentas (e processos, que abordaremos a seguir) para efetuar comunicações de uma forma mais clara. Muito provavelmente isso se dá pelo aspecto mais "burocrático" esse tipo de empresa, afinal, quem nunca ouviu frases como "formaliza por email, por favor"?

Processos

Um pouco relacionado ao tema de comunicação (e vários outros), processos em geral tendem a ser bem diferentes também.

Uma empresa que está no mercado há muitos anos provavelmente possuirá alguns processos mais desenhados e sólidos do que uma empresa "mais jovem".

O que também não quer dizer que o desenho desse processo esteja completamente redondo e funcionando como deveria: muitas vezes, vale mais estar disposto a moldar e criar novos processos do que apenas seguir o que já é culturalmente aceito e falho. E com certeza, mudanças de processo tendem a ser muito mais demoradas e dolorosas em empresas de grande porte, do que as definições e debates sobre novos processos em empresas mais "jovens".

Autonomia

Provavelmente o ponto mais polêmico e que mais diverge opiniões quando as pessoas mudam de empresa.

Autonomia é algo bem diferente dependendo do cenário em que você faz parte. É bem comum encontrar "hackathons" e propostas de aplicação de novas ferramentas em ambiente onde todos estão mais propícios a tentar coisas novas. Em ambientes onde projetos já estão mais estáveis, justificar novas tecnologias pode ser algo mais trabalhoso (se não impossível).

O mesmo acontece em vários outros cenários, em decisões sobre abordagens em pequenas tarefas do dia-a-dia e até em algumas questões de permissionamento e níveis de acesso, provavelmente você já teve que "abrir um ticket" para entrar em uma lista de e-mail ou configurar uma impressora no seu computador.

Oportunidades

Não seria diferente com as oportunidades também, que estão muito ligadas com a autonomia e também com o fluxo de entregas e decisões de um produto.

Claro que falar de oportunidades não se restringe apenas ao crescimento e reconhecimento em sua carreira (quem não quer ser promovido?) mas também podemos pensar em qualquer oportunidade de mudança, seja de time, de projeto, de escopo ou de área.

Empresas mais novas tendem a realizar mais testes do que empresas tradicionais, o que faz com que mudanças e oportunidades possam ser pensadas e repensadas de forma mais cotidiana.

Isso envolve questões sobre processos também, mas o que vale a pena ter em mente é que muito provavelmente, qualquer mudança e nova oportunidade em uma empresa pode ser mais restrita e/ou demorada dependendo de seu tamanho atual.

Resposta aos eventos externos

Algo que ficou bem claro nesse cenário pandêmico que estamos vivendo atualmente.

Empresas que são mais suscetíveis à mudanças e possuem uma cultura que permite uma maior flexibilidade muito provavelmente terão uma resposta mais rápida aos eventos externos. Um ambiente que já está mais acostumado com uma certa agilidade tende a sofrer menos em grandes cenários de mudança, se comparado com um ambiente que possui uma forma mais tradicional de trabalho.

Muito provavelmente você viu alguma meme ou tirinha dizendo que o que forçou a tão falada "transformação digital" nas empresas não foi o "departamento de TI" mas sim o coronavírus:

Tirinha sobre transformação digital

O que nos leva ao último ponto.

Cultura do trabalho

Se pudéssemos resumir tudo o que pontuamos aqui em um único tópico, possivelmente chamaríamos de cultura: é a cultura de trabalho o fator que muda de ambiente pra ambiente e, com isso, molda suas características, entornos, decisões e a forma como as equipes lidam com situações e trabalham em torno de um produto/ideal em comum.

Tem se tornado realidade culturas atreladas ao home-office, flexibilidade de horário e jornada de trabalho. Aquele pensamento de cumprir horário fixo (o que sabemos que não é um indicativo de produtividade e nem de entregas) tem mudado constantemente em vários portes de empresa e isso é claro pela quantidade de empresas que começaram a pensar e aplicar em sua estrutura uma "célula de inovação".

Geralmente essas "células" ficam responsáveis não somente por pensar em novos produtos e entregas, mas também por apontas possíveis inconcordâncias estruturais e processuais de empresas já presentes há muito tempo no mercado. De certa forma, é um pouco inevitável que problemas surjam conforme a estrutura de uma companhia vai sendo modificada e consolidada conforme o tempo passa.


E pra você: quais pontos mais chamam atenção?

Já vivenciou diferentes culturas organizacionais? Como foram suas experiências?

Reforço que tudo o que disse aqui não está relacionado a "prós ou contras" dos aspectos que apontei e de forma alguma a ideia do post é apontar uma cultura "melhor ou pior" ou "certa e errada", mas sim trazer algumas reflexões que tive sobre diferentes estruturas que podem ser vistas em diversos ambientes que estão no mercado.

Vale lembrar que esses cenários são totalmente opostos e que muitas das empresas por aí não se encaixam em somente um desses aspectos. Podendo também trazer pontos positivos e negativos de qualquer uma das coisas que comentei aqui.


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