Gabriel / Ramos

⟨ desenvolvedor web ⟩

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Como um professor pode influenciar sua carreira

Já parou pra pensar como a pessoa que escreve na lousa pode mudar sua vida?


Um dia desses estava pensando em todos os professores que já tive, desde meu ensino médico/técnico até a faculdade e até mesmo nos meus empregos (pois bons profissionais dispostos a ensinar também são professores).

Acredito que, como grande parte do pessoal que trabalha com desenvolvimento web, meu primeiro emprego não foi na área. Iniciei minha carreira profissional como educador (título utilizado para uma função similar a de um monitor de cursos) em uma franquia de escola de ensino, na região de Santos. Embora tivesse já conduzido algumas aulas de reforço durante meu curso técnico, foi ali que comecei a me identificar com a parte educacional.

Claro, era (até certo ponto) diferente se contássemos toda a experiência e formação de um professor propriamente dito, mas as atribuições eram bem parecidas: eu precisava preparar avaliações, atividades, dominar todo o conteúdo de todos os cursos oferecidos (da teoria às ferramentas e, acredite, não eram poucas), lidar com alunos de todas as faixas etárias (das crianças aos idosos), com ou sem necessidades especiais. No geral, o trabalho era bem parecido com o de um profissional da educação.

E foi por ai, que comecei a “gostar de ensinar”. Muitos alunos faziam os cursos apenas pelo fato de os pais estarem pagando e os obrigando a ir às aulas, mas muitos realmente gostavam do que aprendiam, e conseguir instigar a curiosidade e a vontade de aprender deles era algo especial.

Alguns anos depois (e mais recentemente) também tive a oportunidade de conduzir através de um finado projeto pessoal um curso livre na minha antiga faculdade, que visava levar o conhecimento básico sobre desenvolvimento web ao pessoal das turmas de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Tivemos diversos alunos concluintes deste curso e até fizemos certificados e, além dos benefícios de ensinar que citei acima, os feedbacks também foram maravilhosos! Saber que pessoas conseguiram vagas em estágios, ou atingiram algum objetivo profissional ou pessoal, por um empurrãozinho seu, é uma das coisas mais gratificantes que um profissional pode sentir. E é por isso que a atitude de muitos professores me intriga.

Mas, primeiro, vamos falar um pouco sobre a forma de ensino que vivenciamos.

A forma de ensino por aqui é um tanto quanto arcaica, me fazendo lembrar uma linha de produção industrial.
Nós temos os diversos alunos (se pegarmos uma turma de faculdade, teremos mais de 50) enfileirados, cada um em sua devida posição, assistindo o professor falar (e, dependendo da maturidade do professor, até exigindo que realizem “anotações” para mostrar que estão acompanhando a aula). Os alunos tem a “função” de assistir e, o professor, a de ensinar. Mas, será mesmo que TODOS os alunos aprendem dessa forma? Acredito que não.

Não veja isso como uma crítica negativa, muito pelo contrário… Pra grande maioria dos estudantes, esse formato de estudo pode ser adequado, alguns até preferem este à qualquer tentativa “disruptiva” de ensinar mas, e os que não se adequam às salas de aula industriais?

Falo isso pois, depois que comecei a trabalhar vi que esse formato começou a me incomodar bastante. Diversas vezes, aprendi mais na frente do computador/celular (assistindo vídeo-aulas, lendo artigos e documentações) do que ouvindo professores falarem sobre determinado assunto. O que fez com que eu optasse por uma abordagem mais “autodidata”, procurando estudar sozinho e, consequentemente, me fazendo trancar minha primeira faculdade. Sem contar a praticidade de, a qualquer instante, poder “pausar” o conteúdo que estou estudando para fazer alguma pesquisa. Já não consigo contar a quantidade de vezes que discuti com professores, por precisar utilizar meu celular durante a aula e eles reclamarem (muitas vezes era realmente por motivo acadêmico, ou necessidade pessoal) e sempre ouvia o argumento de que “celular na sala de aula é proibido por lei”.

O que nos leva a outro ponto…

O professor que gosta do que faz

Quantos professores você já teve, que fizeram você sentir gosto por aprender (como citei no começo do texto)? E quantos você já teve que claramente não ligavam para o conteúdo que estavam passando? Muitos, não fazem questão nem de dominar ou de preparar uma aula boa, apenas pegam uma apresentação de 10 anos atrás e passam como se fosse completamente atualizada.

Obviamente, todo professor tem seu dia ruim, assim como ele pode estar cansado de sua carreira mas, vejamos bem: se o profissional que tem a “função” de ensinar está cansado da própria carreira, como ele pretende formar profissionais engajados? Meio irônico, não? Ou então o exemplo do professor que pega uma apresentação antiga… Como servir de exemplo para os alunos dessa forma?

Isso não quer dizer que os alunos também não tem sua parcela de culpa. Muitos professores também lidam com alunos que acabam sendo extremamente desagradáveis, que acham que tem algum poder sobre a aula ou sobre o próprio professor, eu mesmo lidei com muitos assim quando era educador.

Mas, vamos pensar num panorama maior: se você é um professor, terá que dedicar horas do seu dia (muito provavelmente da sua vida) a ensinar, por que não fazer da melhor forma possível? As vantagens são inúmeras… Você despertará o interesse de seus alunos mais facilmente, terá carinho por sua profissão e por preparar e ministrar suas aulas e, muito provavelmente, acabará se tornando um professor querido por suas turmas e é por isso que um professor tem o poder de influenciar sua carreira.

Digo isso pois reprovei o primeiro ano do meu ensino médio/técnico (que já tinha, naturalmente, duração de 4 anos, rs) e, quando tive a “oportunidade” de refazer toda a grade dos primeiros 12 meses do curso percebi que adquiri um carinho muito maior pelos professores que realmente gostavam de lecionar. Como eu tinha dito, a “culpa” não é só dos professores. Antes de reprovar, admito que não levava os estudos 100% a sério e, quando o fiz, pude notar os professores que se destacavam durante as aulas. E por isso digo que, com certeza, esses professores fizeram toda a diferença na minha carreira.

Além de despertar meu interesse por programação e desenvolvimento web, acabaram se tornando referências para mim. Pois eram os professores que se preocupavam em preparar um bom conteúdo para a aula e que gostavam do que faziam. Dava pra notar isso claramente.

Os professores no ambiente de trabalho

Ok. Me formei, já estava estagiando e fui efetivado em meu primeiro emprego na área e foi lá também que tive a oportunidade de entender como são os professores que você pode ter no ambiente de trabalho.

Podemos espelhar grande parte do que disse acima para um profissional de qualquer área: o amor pela profissão, a vontade de cativar os outros e de manter-se atualizado e também os desafios e problemas que enfrentam.

Da mesma forma, todo profissional pode servir de exemplo e estar disposto a ajudar e a ensinar o que sabe para um membro de equipe mais novo que esteja aprendendo ou até mesmo membros antigos, já que cada profissional tem sua visão.

E foi nesse ambiente de aprendizado de estágio/primeiro emprego que pude, também, entrar em contato pela primeira vez com profissionais na área de desenvolvimento web que também acabaram, inevitavelmente, cumprindo admirosamente bem o papel de professores.